Tanto na escola como noutros lugares de aprendizagem tendemos a olhar a criança como um ser incompleto e a
entender a infância como a primeira etapa da vida. A ideia de infância é deduzida a partir de uma falta ou de uma
incompletude. Por essa razão, programamos as aprendizagens em função do ano escolar, por etapas, numa
ordem cronológica do tempo. Mas, ao considerar–se a criança desse ponto de vista, dificilmente se consegue
apreendê-la na sua diferença ou singularidade. Alternativamente, pretende–se, nesta formação, apreender a
criança a partir do que ela já é, como abertura ao novo, ao desconhecido, ao inesperado e ao diferente.
Neste desafio educativo e filosófico de se considerar a criança na sua singularidade, faz sentido apreendê-la
enquanto ser pensante, dotada de capacidades reflexivas e filosóficas. Segundo um estudo da Unesco sobre a
prática da Filosofia com Crianças (FcC), (http://valact.org/wp-content/uploads/UNESCO_Philo-Ecole-Liberte.pdf),
as crianças colocam perguntas de natureza existencial, ontológica (Se eu não sou apenas o meu nome, quem sou
eu?), ética e estética. O mesmo estudo comprova também os efeitos benéficos da prática reflexiva da FcC ao
nível do desempenho dos alunos nas outras áreas curriculares, diminuindo o insucesso escolar.
